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Decisões potentes para influenciar e conquistar

*Por Ana Vaz

Enquanto escrevo esta coluna, estamos em plena temporada de desfiles internacionais para o inverno 2014/2015 e, entre várias propostas interessantes, uma me chamou atenção. Não por ser mais nova ou arrojada do que as outras, mas por estar espalhada por quase todas as grandes marcas, por ter ganhado adeptos até mesmo entre as estrelas de street style e, também, por ser relativamente fácil de produzir em casa – os looks em preto total.

Este tipo de combinação, com apenas uma cor, tem na mesma moeda uma face encantadora, que carrega o poder da elegância, e uma outra que traz o poder da monotonia. Um bom look monocromático, como é o look total black, precisa de recursos de forma para ficar realmente interessante, criativo e atual – além de elegante, obviamente. Vale adicionar personalidade para tornar o visual mais arrebatador. Três designers se saíram especialmente bem na montagem desta proposta e vale citá-los e explicar o motivo.

Roberto Cavalli: o designer italiano é o rei do sexy sofisticado e arrasou nas produções monocromáticas em preto e em cinza. Seus looks total black estão entre meus favoritos e um, em especial, tornou-se uma referência do “bem vestir”. Ele coordena um casaco militar em lã fria, reto e quase sisudo, a uma blusa super decotada no que parece ser um cetim de seda, a uma saia de couro toda franjada – tudo em preto. O resultado é um visual de uma mulher forte, segura, ao mesmo tempo sexy, criativa e muito bem-humorada. O visual mistura referências femininas (cetim, franja, movimento, um pouco de pele à mostra) e masculinas (casaco militar, couro, tecido de alfaiataria, preto, linhas retas), que juntas, multiplicam o poder de quem as veste.

Christian Dior: Raf Simons, na minha opinião, finamente fez um coleção à altura da Maison para qual cria. Nesta temporada, ele resgata a alma da marca, certamente expressa em looks monocromáticos não só sofisticados, mas exuberantes. Os vestidos pretinhos, por exemplo, não têm nada de básicos. Quando feitos em formas mais contidas, exibem tecidos absolutamente texturizados, que garantem um ar muito rico e atual. Se os tecidos tem tramas menos aparentes, entram em ação formas mais assimétricas ou avolumadas. Fato é que o designer deixou a monotonia de lado, sem precisar abandonar seu DNA minimalista. Para somar, outro look muito simples, mas nada monótono, foi o que uniu um terninho slim de um só botão a um casaco bem longo, com textura de pele, lembrando muito um veludo de seda.

Dolce & Gabbana: mesmo com uma profusão de looks coloridos e divertidos (eles trouxeram animais dos contos de fada para a estamparia da coleção). A dupla encerrou o desfile com um exército de mulheres muito sexy, vestidas em looks pretos (e em looks em prata também) repletos de brilhos e texturas. Salpicaram o show, ainda, com looks amais austeros, para aquelas mulheres que desejam, sim, a discrição de um pretinho básico. O que os designers deixaram registrado nesta coleção, com a variedade de propostas de seus looks, todos em referência ao estilo da própria marca, mas respeitando e conversando com mais do que um estilo de mulheres. É que a grife sabe o quão abrangente e internacional se tornou nos últimos anos, e de que maneira deve atender a mulheres diferentes, mas, também, àquela que precisa de estilos diferentes durante sua rotina ultramultifacetada. E o preto total atende a esta mulher e a esta rotina

E você gosta da ideia do preto total?! Se gosta e quer tentar algo mais ousado, siga uma dica simples: misture na mesma produção, tecidos/materiais de texturas diferentes.