613 Views |  Like

22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

“Uma experiência boa, diria, muito boa.”

Participei da 22ª Bienal Internacional do Livro em São Paulo e, além de ver meus livros acolhidos, especialmente o último, pude também encontrar pessoas queridas, afetuosas e interessantes. Sim, afinal, quem vai a uma Bienal do Livro não está procurando outra coisa que não sejam os Livros e os Autores, enquanto, por outro lado, os Livros e os Autores procuram os interessados. E isto, exatamente isto, faz as pessoas serem interessantes, ao menos, no quesito “inteligência e cultura”.

Foi uma experiência muito boa e devo parabenizar os organizadores do Evento em São Paulo. Muita gente – muita mesmo, mas nada que aborrecesse, pois em um lugar e Evento como este, ver aquelas milhares de pessoas, quase sem espaço para caminhar, com milhares de crianças, jovens, idosos, de um lado para outro, prestando o devido “louvor” aos livros é, no mínimo, uma visão eloquente e maravilhosa.

No espaço, onde estava expondo, uma querida funcionária me apontou uma cadeira, uma mesa, e disse que pudesse ficar por ali, recebendo as pessoas. Olhei a cadeira e senti quase que uma corrente aos meus pés. Fiquei em pé o maior tempo possível e, em vários momentos, fugi dali, durante a tarde toda, a fim de percorrer aqueles corredores, aqueles espaços tão “caros” para a liberdade. Entre autores, funcionários e visitantes, descobri muita gente boa – todos muito simpáticos! Os livros, afinal, revelam o melhor de nós mesmos e, no seu espaço público, revelam o melhor de nós em sociedade. Ali ninguém foi para matar, mas para semear ou buscar sementes, ideias, teses, portas, janelas e sentido para a vida, ao menos, para a existência.

Em determinado momento, recebemos a simpática visita de um muçulmano. Não, assim, um muçulmano comum e nem de um muçulmano árabe ou africano. Recebemos a visita cordial de um muçulmano persa – de um iraniano. Mas, não de qualquer iraniano, persa e muçulmano. Mas, de um muçulmano iraniano, persa e xiita! Chegou muito simpático, abraçou, cumprimentou e falamos, eu, outros dois judeus que ali estavam e ele – o muçulmano iraniano, persa, xiita! Falamos de livros, de paz, de tolerância, de convivência. Falamos sorrindo, abraçando, dividindo umas balinhas que ali estavam (casher) e, sem formalidades, ainda fizemos uma Brachá. Uma Brachá (em hebraico), não assim, comum, mas com três judeus que estavam em uma Bienal de Livros e um muçulmano – um persa, iraniano, xiita. Mas, não apenas um muçulmano persa, iraniano, xiita: um muçulmano persa, iraniano, xiita, que fez uma Brachá (em hebraico) usando uma kipá (judaica), sem espanto nem mistério – sem formalidades. Falamos de paz, de livros, de história antiga em que nossos povos se frequentavam, viviam unidos e em paz!

Mais tarde, retribuí a visita em seu espaço. Encontrei mulheres iranianas, com seus véus, belas, muito belas, acolhedoras e que falavam em livros, poesia, literatura, mostrando a grandeza de um povo antigo, o persa, para quem já cedemos uma rainha, alguns profetas e, no meio do qual, começou, também, uma de nossas mais queridas e esperadas festas anuais: o Purim!

Enfim, fiquei pouco no meu espaço (coisa de anarquista). Dialoguei com muitos ali, reencontrei outros, transitamos pela produção literária de outros poetas, vivos e mortos. E, acima de tudo, não me faltou o café com espuminha de leite nem a beleza feminina que transitava por ali. Livros e Beleza também combinam – e muito!

Pietro Nardella-Dellova, in “22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo”, 2012