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Icônicas

“A bolsa matou a moda”, disse a jornalista francesa Janie Samet, no livro Fashion Brands, de Mark Tungate. A afirmação é do início dos anos 2000 e parecia profetizar o futuro num momento de marasmo fashion, de muita cautela por parte das grandes grifes internacionais.

O fast fashion tomava conta do mercado da moda, consolidando-se e fortalecendo-se baseado na reprodução rápida e barata das propostas desfiladas pelas grifes – pouco ágeis, as velhas marcas tradicionais não tinham velocidade para combater a ameaça. A proposta então era usar looks produzidos com uma mistura de peças baratinhas e outras nem tanto – nascia o hi-lo.

Não preciso contar que, neste momento, as bolsas começaram a ganhar status de celebridade. As grandes marcas focaram seus esforços para tornar suas bolsas cada vez mais desejadas, caras e imponentes, uma vez que suas clientes agora compravam roupas baratinhas (sem preconceito!) e as coroavam com suas it bags. As roupas ficaram simples por um tempo e a bolsa realmente se tornou um acessório de muito peso. Resumo da ópera: as grandes marcas reagiram, fizeram uma reviravolta na moda e hoje fazem, sim, coleções interessantíssimas, e as bolsas… Ah, as bolsas… Continuam cada vez mais desejadas! Conheça nesta coluna uma seleção de exemplares que se tornaram ícones de sua categoria – modernos ou tradicionais.

  • 2.55 (Chanel): esta senhora de 57 anos foi criada em fevereiro de 1955 (como o nome aposta) no momento em que a estilista retornava à moda. O modelo tinha a missão de deixar livre as mãos femininas – mais uma vez, mademoiselle Chanel se incumbia de trazer praticidade à rotina feminina. Dizem que suas alças de corrente faziam referência aos chaveiros das freiras do orfanato onde foi criada, assim como seu forro cor de vinho, mesmo tom usado pelas religiosas. Até hoje, é uma das bolsas mais desejadas do mercado e traz consigo a simbologia do luxo, mas também de uma mulher madura e prática.

Chanel

  • Kelly (Hermès): criada na década de 30, foi somente na década de 60 que a bolsa se tornou o ícone que é até hoje. Originalmente criada no auge das viagens de carro, foi Grace Kelly quem ao mesmo tempo a popularizou e a tornou um símbolo do luxo feminino. O modelo de mão, não se pode negar, é menos prático que a 2.55, mas com certeza mais exclusivo.

 

Kelly, Hermès

  • Birkin (Hermès): esta é esta a bolsa mais emblemática da marca. Mais moderna e de tamanho maior, surgiu em 1984, após uma reclamação da atriz Jane Birkin sobre o tamanho reduzido de sua bolsa Kelly, pouco condizente com a vida da mulher moderna. O modelo mais caro da marca parece, desde então, despertar um desejo absurdo, que faz suas cientes entrarem em longas listas de espera. O livro “Cinquenta bolsas que mudaram o mundo” (Design Museum, editora Autêntica), que inspirou esta coluna, a classifica como o shangri-la das bolsas e como um símbolo de status ainda não igualado. Hoje, o modelo se faz ainda mais desejado, abusando de matérias e cores absolutamente especiais.  A bolsa é tão poderosa que, sozinha, movimenta todo um mercado paralelo de modelos usados, que parecem não perder o seu valor. Investimento é uma palavra que pode sim ser associada à uma Birkin.

Birkin, Hermès

  • Baguette (Fendi): o modelo criado em 1997 por Sílvia Venturini Fendi, foi desenhado para ser carregada sob o braço (como o pão francês que lhe confere o nome). O modelo foi imortalizado por Carrie Bradshaw, do seriado Sex and The City, personagem vivido por Sarah Jessica Parker. Esquecida por um tempo, 15 modelos da Baguette (e um livro deslumbrante) foram relançados em junho deste ano para celebrar o aniversário de 15 anos da bolsa. A Tucano é irresistível!  A marca se prepara para lancar em outubro uma loja online especialmente dedicada à Baguette. Prepare-se para ainda ouvir falar muito desta pequena nos  próximos meses.

Baguette, Fendi

  • Peekaboo (Fendi): confesso que esta é a minha preferida. Adoro a ideia do interior revestido em um material diferente e muitas vezes exótico e até mais interessante que o material externo – nota: parte do interior da bolsa fica aparente e aí está a graça! Ao carregá-la tem-se a impressão que está aberta. Versátil, essa lindeza pode ser carregada pelas mãos ou usando-se sua alça lateral. Super atual, foi criada em 2009, e seu nome faz menção a uma brincadeira infantil de esconde-mostra, exatamente a ideia que seu design propõe.

Pekaboo, Fendi

  • Lockit  - Yayoi Kusama (Louis Vuitton): o modelo estruturado e todo certinho da Louis Vuitton foi coberto de bolinhas e é hoje uma das novidades do mercado. Bolsa desejo do momento, ela terá vida longa no guarda-roupa de suas donas. Atrevida e clássica ao mesmo tempo,  levanta qualquer look sóbrio ou básico. Para desenvolver a estampa da bolsa, assim como vários outros produtos, Marc Jacobs se inspirou na obra da artista plástica japonesa Yayoi Kusama. Uma parceria de sucesso que resultou em peças lindíssimas.

Lockit, Louis Vuitton

  • Luggage (Céline): a bolsa que encantou desde seu lançamento foi criada por Phoebe Philo, em 2010. Inspirada em um modelo clássico de bagagem da marca, ela se tornou febre e está entre as mais disputadas. A bolsa não é vendida online, ou fora das lojas da marca, o que  dificulta o acesso a ela e aumenta sua aura de exclusividade. Feita em três tamanhos, normalmente em dois materiais de texturas diferentes, tem a frente rígida e as laterais (nem pronunciadas, num formato de arraia) macias. Praticamente não há marca de acessórios hoje que não tenha um modelo “ïnspired” da Luggage em seu portfólio.

Luggage, Céline