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O que o fundo do mar tem a ver com as It bags mais desejadas do momento?

Por ana vaz*

Em setembro de 2009 dois britânicos sacudiram o mundo da moda. Phoebe Philo, após 4 anos afastada das passarelas (por vontade própria para cuidar de sua filha),  voltou à cena como head designer da marca de luxo Cèline  – trouxe consigo uma proposta minimalista e muito, muito chic, perfeita para uma mulher cosmopolita, elegante e prática, exatamente a visão que  grupo LVMH tinha para as consumidoras da marca. Já Alexander McQueen desfilou sua maravilhosa e quase barroca coleção Atlantis, inspirada num apocalíptico e molhado fim do mundo. A mulher idealizada pela marca é ousada, adora referências históricas e artísticas, e não tem medo de atrair olhares por sua individualidade, pelo contrário, adora fazer isso.

Mas não foram só as roupas desfiladas na temporada de Primavera/Verão 2010 que marcaram aquele setembro, e que até hoje enlouquecem as tais it girls e até mesmo muitas mulheres mais ponderadas. Foram duas bolsas lindas e de formatos bastante originais: a Demanta Clutch, criada por Lee Alexander McQueen, que se suicidou apenas 5 meses depois do desfile daquela coleção; e a Luggage Bag, criada por Philo, e inspirada nos arquivos da marca Cèline.

Apesar de diferentes em tamanho e em formato – a Demanata é uma maxi-carteira, e a Luggage Shopping Bag é uma “sacola de compras”, uma “tote” em inglês – ambas parecem criaturas saídas do fundo do mar. A Demanta muito mais, e seu nome faz referência direta à arraia manta, e faz parte de uma coleção chamada Platos’s Atlantis, em que McQueen queria dialogar sobre a ideia de a vida ter se originado no mar e de agora estarmos nos encaminhando para um final de mundo e vida terrestre provocado pelo aumento das águas. “Não sou Nostradamus” disse McQueen, e não era mesmo, mas as ideias vindas deste diálogo se transformaram em roupas e acessórios absolutamente desejáveis e inusitados, de um jeito que nem ele preveria ou viveria para ver.  A mais icônica de suas Demanta clutchs é a Scuba Python, que foi originalmente lançada por preço médio de U$S400 dólares, mas que rapidamente se esgotou e que pouco tempo depois já era vendida por mais de US$1200. Hoje, a marca continua com mais e mais modelos da Demanta e tem até uma bolsa tipo tote chamada Demanta.

A Luggage Shopping Bag de Phoebe Philo não tem inspiração declarada no fundo do mar, mas é fácil notar uma semelhança nela com a forma da arraia. E mais ainda em outro modelo da série Luggage, a Phantom, lançada na temporada Outono/Inverno 2011, logo depois da morte de McQueen e do sucesso estrondoso de vendas da Demanta. Ambos os modelos – Luggage Shop Bag e Luggage Phantom, estão hoje entre as it bags mais cobiçadas.

E para mostrar que o fundo do mar e a arraia manta continuam fazendo escola, Alexander Wang também criou uma bolsa linda, chamada Emile. O modelo foi uma coleção após a Luggage Phantom, da Celine, e já foi visto em bracinhos fashionistas como os de Gwyneth Paltrow. E para encerrar esta coluna, vale lembrar que o fundo mar foi também a inspiração a coleção de Verão 2012 da Chanel, que além de ninfas subaquáticas trouxe bolsas inspiradas em conchas e uma clutch muito, muito parecida com a Demanta de Alexander McQueen.

*Ana vaz é consultora de imagem pessoal