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Jeanne Lavin

Um negócio de mulheres

Depois de marcar com o refinamento nas confecções de bordados, ornamentos de pérolas, florais e diferentes tecidos, sua opinião passou a ser tão relevante quanto seus traços. Uma artista que inventou moda e empreendeu uma indústria fashion (quase) sem querer.

Ícone da moda, deixou na assinatura de sua grife uma identidade peculiar. Jeanne Lanvin foi assim: autêntica, clássica, elegante e precursora de comportamentos audaciosos para a mulher francesa.

Isso é o que traduzem seus croquis e os cortes repletos de feminilidade e  ousadia – as peças que desenhou envolveu o estilo conservador do vestuário da época, com linhas e definições mais justas ao corpo das francesas.

Nascida em Paris no dia primeiro de janeiro de 1867, Jeanne parecia predizer que a fórmula do sucesso era criar sem padrões e inovar no estilo de se vestir e de portar-se diante da sociedade tradiconalista. Antecessora de Coco Chanel, coincidência ou não, a senhora Lanvin iniciou um pequeno negócio na “cidade luz” como chapeleira, em 1889. Casou-se em 1895 com o Conde Emilio De Pierto, com quem teve sua única filha Marguerite di Peietro. A união durou oito anos (até 1903).  Quatro anos depois, Janne se casou com Xavier Melet, um jornalista francês.

Antes de alcançar o reconhecimento como estilista feminina e desenvolver conceitos de vanguarda, começa a desenhar vestidos para sua filha. As roupas chamaram a atenção da clientela, que em pouco tempo fazia encomendas similares para suas filhas. Não demorou muito para começar a vestir as mães também. Logo, a oficina torna-se pequena e faz surgir a maison Lanvin, em 1909 – que passa a integrar o Sindicato da Alta-Costura.

A partir de 1923 começa a solidificar-se um império: uma fábrica de corantes em Nanterre  e lojas dedicadas a decoração, moda masculina, peles e lingerie, além da Lanvin Parfums S.A. (em 1924), conferem a estilista o estatus de personalidade influente e prestígiada por famosos e notoridades políticas do período, sendo considerada uma estilista refência em comportamento no mundo do design.

Silenciosa e modesta, os vestidos desenhados pela parisiense traziam uma concepção romanesca e inspirações vitorianas suavizadas . Adornos e bordados foram o diferencial que terminavam com babados feitos à beira da perfeição – ao menos, é o que afirmam amantes e críticos de moda. Acabamentos refinados e o constante uso de um específico tom de azul, que passou a ser chamado de Azul Lanvin, tornaram-se marcas indissóciáveis à imagem da madame.

Depois de sua morte em 1946, a direção do ateliê passou para sua filha Marguerite di Pietro e, anos mais tarde, para Antonio Castillo – que sempre seguiram o estilo da fundadora. Hoje, a grife Lanvin ainda é sinônimo de requinte, bom gosto e qualidade em design, tecidos e cores exclusivas.  Atualmente, Alber Elbaz é o responsável pelas coleções da marca.